CURITIBA — Enquanto milhares de quilômetros de rodovias paranaenses sofrem com buracos e falta de infraestrutura básica, um trecho específico de asfalto em Ribeirão Claro continua a alimentar a indignação da população e a incendiar os bastidores políticos do estado. Uma obra de pavimentação na rodovia PR-415, que custou mais de R$ 500 mil aos cofres públicos, serve como um acesso direto e tapetado ao Tayayá Resort—complexo de luxo amplamente associado ao ministro do STF, Dias Toffoli.
O projeto controverso foi autorizado e assinado em 2020, durante a gestão de Sandro Alex à frente da Secretaria de Infraestrutura e Logística (SEIL). Críticos apontam que a rapidez na liberação de recursos estaduais para pavimentar o entorno de um empreendimento privado de alto padrão escancara uma inversão profunda de prioridades, onde o dinheiro do contribuinte acaba blindando e valorizando interesses de minorias influentes e do grande capital.
Privilégios sob o Holofote
O resort de luxo ganhou notoriedade nacional após transações imobiliárias de grande porte envolvendo o ministro Dias Toffoli e o banqueiro Daniel Vorcaro. O fato de o governo estadual ter direcionado verbas para melhorar o acesso imediato de um negócio altamente lucrativo e privado levanta questionamentos éticos severos sobre o uso da máquina pública.
O tema virou munição pesada nos debates eleitorais ao governo do Estado, onde opositores confrontaram Sandro Alex diretamente sobre o contrato. A oposição questiona veementemente os critérios que levaram a gestão de Ratinho Junior a priorizar a entrada de um resort de luxo, enquanto estradas fundamentais para o escoamento agrícola e para a segurança de trabalhadores paranaenses seguem em condições precárias. Para os críticos, o episódio permanece como um símbolo nítido de privilégio administrativo.